PROJETO DA ESCOLA ARTUR SEGURADO SEMEIA HORTAS EM PEQUENOS ESPAÇOS DE CAMPINAS

O propósito original previa o plantio de uma horta no espaço da escola. Contudo, com a reinvenção necessária, durante o isolamento social imposto pela pandemia de Covid-19, a intenção inicial foi modificada e o resultado foi a multiplicação de hortas, em quintais e outros pequenos espaços de dezenas de famílias de Campinas. Esta é uma das consequências do desenvolvimento do Projeto “Um novo olhar para a educação integral: Saúde, Aprendizagem e Lazer como alicerce na formação integral das crianças”, desenvolvido pela Escola Estadual Artur Segurado, como parte da segunda edição do Programa Aprendendo com Prazer, para Crescer Saudável, do Instituto Arcor Brasil.

O projeto tem um perfil diferenciado, tendo sido desenhado e executado desde o início em parceria entre a escola e a sua ativa Associação de Pais e Mestres (APM), que atua frequentemente em conjunto com a instituição. “Os pais devem participar de tudo. Com eles a escola fica mais fortalecida, as suas demandas são atendidas mais rapidamente, em benefício dos alunos”, afirma Valdilene Concesso Silva Marcelino, que trabalha com consultoria financeira e que, como integrante da APM, tem participado em todas as fases do projeto da EE Artur Segurado.

Um dos eixos centrais do projeto, assinala Valdilene, era a implantação de uma horta educativa na escola. Em torno da horta seriam desenvolvidas várias atividades pedagógicas e com caráter multidisciplinar, na linha do estímulo à alimentação nutritiva e vida ativa.

Como meio de mobilização da comunidade escolar, no segundo semestre de 2019 foi promovido um grande mutirão, envolvendo os pais, para o lançamento das bases da horta. Com o apoio de funcionários, foram abertas as covas para receber as mudas e preparados os canteiros.

Uma ação importante foi a visita do agrônomo Osmar Mosca Diz, da Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS), a antiga Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), localizada muito próximo da escola. O agrônomo é responsável na CDRS pelo Projeto Fazendinha Feliz, onde são desenvolvidas ações como o plantio de Plantas Alimentícias Não Convencionais (Panc), cultivo de abelhas sem ferrão e escola na horta.

 “Com muito entusiasmo, ele ensinou as crianças como plantar e quais os cuidados que devemos ter com a terra e a natureza em geral”, conta Valdilene. Ela frisa que o profissional, “com um carinho, conhecimento e didática ímpar”, deu importante auxílio com formação e ajuda prática, nessa fase do projeto da EE Artur Segurado. Também atuou intensamente nessa etapa inicial a professora Márcia Aparecida Lucas Ramos, que trabalhou na escola em 2019 e foi uma entusiasta do projeto.

Ainda em 2019, outra atividade ligada ao projeto foi a realização, durante a feira escolar anual, de uma oficina com atividades mediadas pelo ecobrinquedista Renato Barbosa. Ele atuou como instrutor nas propostas de ressignificação com reciclagem de objetos, outra linha de atuação do projeto.

Na oportunidade foi executado o Circuito de Bolinhas, uma oficina do tipo “tinkering”, que é um conjunto de “atividades exploratórias mão na massa, brincantes e espontâneas, onde o inesperado guia o processo de criação e aprendizado”, conforme proposta do The Tinkering Studio, do Museu Exploratorium, em San Francisco, na Califórnia (EUA).

Mudanças com a pandemia - Em função da quarentena, decorrente da eclosão da pandemia, como aconteceu em todo o setor educacional as atividades da EE Artur Segurado tiveram que ser ajustadas à nova realidade. E, no caso do Projeto “Um novo olhar para a educação integral: Saúde, Aprendizagem e Lazer como alicerce na formação integral das crianças”, as atividades foram adaptadas.

A estratégia, conta Valdilene Marcelino, foi a difusão de conhecimento para que a ideia original se transformasse na propagação de hortas em pequenos espaços, que pudessem ser criadas e mantidas pelos alunos junto com os pais. Foram então preparadas e distribuídas 3 mil mudas, de várias hortaliças, legumes e plantas medicinais (como alface, rúcula, almeirão, salsinha, cebolinha, sementinha mini tomate, camomila e outras), que foram entregues aos pais junto com os kits escolares montados pelo governo estadual em razão da pandemia.

Também foi anexado um folder com material explicativo para a instalação das hortas. A diretora da escola, Márcia Leopoldina Ferreira de Oliveira, participou diretamente da entrega dos kits escolares, junto com as mudinhas de plantas. Ao mesmo tempo, funcionários da escola mantiveram a horta que havia sido iniciada em 2019, com o cultivo de tomate, berinjela, manjericão, alface e abóbora, entre outras.

 “A ação tem sido de muito êxito. Os alunos estão nos encaminhando vídeos e fotos com o plantio das mudas e mostrando como elas cresceram”, relata Valdilene, que exalta a continuidade do projeto, mesmo com as dificuldades derivadas da pandemia e do confinamento. Mais um caso de sucesso, de atividades redesenhadas no âmbito do Programa Aprendendo com Prazer, para Crescer Saudável, do Instituto Arcor Brasil. Uma iniciativa internacional do Grupo Arcor, também executada na Argentina e no Chile.